sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Não importa sol ou sombra...



Sombras à frente do sol.
Sombras que ofuscam o sol.

É o sol que se deixa ofuscar,
ou as sombras que o conseguem tapar?

Sol, rei da humanidade!
Sol, inspiração dos mortais!…
Porque te dizem tão poderoso assim,
se qualquer vulto te pode embaraçar?

Serão as sombras menos valiosas,
por não conseguirem brilhar?
Mas brilhos são só vidros a faiscar,
espelhos acabados de pintar.

Já as sombras…
Vultos de mistério que a noite encobre e embala.

Sombras não são nada.
São coisa nenhuma.

Sombras não pioram,
São céu encoberto.
A sombra alimenta o escuro,
O escuro só existe se tiver sombras por perto.

Aposto no seguro.
Durmo nas sombras,
Com elas me deito, e nelas desperto.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O pastor morreu



A tarde começava a morrer entre tons de ouro e carmim.
Já a noite batia devagarzinho à porta das estrelas.
O céu preparava uma despedida apoteótica de nuvens e passarada.

Tudo acontecia com era suposto acontecer.

Mas o pastor morrera e as ovelhas não tinham como entrar nos curais.
O pastor jazia caído por baixo de uma oliveira.
E as ovelhas fitavam o horizonte numa mansidão sem fim.

O vento fazia esvoaçar a fralda da camisa do pastor.
Chapéu desabado,
lancheira desamparada perto do cajado.
Tão quieto!
Tão sossegado.

Mas este poema não é sobre o pastor.
Não, não é.
Pastores morrem todos os dias.
Pastores têm quem os chore.
Sabem, percebem.

É sobre as ovelhas que escrevo.
As ovelhas mansas que esperam.

As ovelhas que têm frio.
Que estão desacostumadas a ficar até tão tarde.
O relento arrepanha-lhes a lã enrodilhada.

Não se queixam.
Não ralham.
Não nada.

Saberão que tinham um pastor?
Saberão que ele jaz em baixo da oliveira?
E morte?
Será que sabem o que é?

A tarde está dourada.
As ovelhas esperam.

A noite desce.
Os lobos ao longe festejam porque farejam festim.
Elas não sabem.
As ovelhas...
O animal mais manso de toda a criação.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A minha vida nunca é igual à dos outros



Os outros fazem…
Os outros dizem…

Quem são os outros?

Os outros tinham uma vida mais feliz.
Riam com maior frequência.

Isso não é para nós.
Não fazemos tal coisa.
Deixa isso para os outros.

Quem são os outros?

Qualquer pessoa fora de casa era um outro.
Quem não fosse um de nós, era um outro.
O mundo era dos outros.

Quantas vezes não quis eu também ser um outro?
Perder-me nos labirintos misteriosos da vida dos outros…
Porque todos eles eram mais capazes e melhores,
Imperfeitos mas poderosos.
E nós…
Pobres de nós.
Éramos vitórias morais em campeonatos adiados.
Éramos snobs enfatuados,
Dados viciados.
Fatos amarrotados.

Ah, os outros!...
Os eternamente outros!
O encanto que tinham!
Travessos e reguilas.
Bastardos e estupores.
Desconhecidos e tentadores.

Outros.
Tão diferentes de nós.
Nós,
Tão diferentes de todos.

A divindade que há em mim,
Não se encaixa no divino dos outros.
Essências simétricas,
Rostos opostos.

E o universo vive na negação,
Numa luta cruel de egos rotos.
Nós aonde fomos?
Só sabemos quem não somos.
Não somos como os outros.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

E não sentiu nada de nada



Naquela manhã Ivan acercou-se de Raquel e falou-lhe de amor.
Disse-lhe o quanto a gostava.
Mostrou-se conhecedor dos seus problemas, e admirador das suas lutas.
Fez-lhe citações poéticas sobre a coragem e a persistência dela.
Deixou claro que não ignorava os desafios penosos de que eram feitos os seus dias.

Usou palavras bonitas e apaixonadas.
Recorreu à entoação certa, e aos trejeitos apropriados.
Até a voz lhe tremeu um pouco nas deixas exactas.

Naquela manhã Ivan acercou-se de Raquel e falou-lhe de amor.

Ela escutou-o com a educada polidez com que se escutam os ocasionais.
Não se retraiu ao contacto da mão dele no seu ombro.
Permitiu que ele se lhe encostasse languidamente.
O mais certo era não se opor a que de noite, ele entrasse nela.

Mas nas suas reacções já não houve lugar para a emoção.
Nas respostas que lhe deu, nunca ela falou de sentimentos.
Manteve os olhos enxutos, e o coração compassado.

Logo ela que era uma mariquice costumeira de choro e lágrimas fáceis!...

Naquela manhã Ivan acercou-se de Raquel e falou-lhe de amor.
E era tarde.
A porta que tinha estado tanto tempo aberta, encontrava-se agora fechada.

Ele soube que a tinha perdido quando a viu sorrir polidamente.
Ela percebeu que não o amava quando não sentiu nada de nada.
Nem pena, nem mágoa, nem raiva.
Apenas um enorme, desolador e infinito nada.
Nada vezes nada.


segunda-feira, 28 de agosto de 2017

https://www.enviamecartas.com/porta-no4-carta-de-ms 
Envia-me cartas", fotografias- Raul Reis, uma exposição patente ao público até ao dia 5 de Setembro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Vale a pena visitar, e participar.

Olá, princesinha do meu coração.

Espero que ainda gostes um bocadinho pequenino de mim, que não me guardes mágoa, nem estejas zangada comigo. Mas acima de tudo, desejo que não estejas triste, e que tenhas a bênção de não ser infeliz. A tua inocência tranquila é um bálsamo que não mereço, mas que deixa no ar a sensação de que não fui tão monstruosa assim.

Minha filha bonita, continua a viver na contemplação sossegada de quem não espera mais nada. Aprecia as pequeninas coisas que te fazem sorrir e desculpa, meu amor, eu ter tentado que fosses diferente. Perdoa não me ter contentado com os teus beijinhos e abraços. Perdoa os meus estúpidos esforços para te ensinar o que não podias aprender. Não era por mal. Queria que fosses igual a toda a gente, ou pelo menos não muito diferente. Devia ter visto que não existem valores universais, nem formas rígidas de existir.

Se pudesse voltar atrás deixava-te saborear as bolachas de chocolate com desejos de tudo, permitia que partisses as bonecas numa luta de brincadeira e fantasia. Tanta coisa que faria diferente!... Mas mantinha as nossas conversas intermináveis, e os nossos fins de tarde entre danças e cantigas. E repetia com sede na voz as vezes em que te disse o quanto gosto de ti. Tanto que gosto de ti!

Nesse lugar estás muito melhor do que comigo. Não estejas triste, nem te sintas sozinha. Estou para sempre aqui. Até quando não me conseguires enxergar, até quando eu não existir mais.

Amo-te, minha filha. Beijinhos da tua mãe.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Desaprendi de respirar



De tanto suster o ar para não engolir fumo,
De tanto evitar a humidade e o bolor,
De tanto teimar em não desmaiar,
Desaprendi de respirar.

E hoje já não inspiro,
Apenas suspiro.

Deixei de viver,
Passei a não ser.

Desaprendi de respirar…

Logo eu que amava o mar!
Logo eu que fazia amor nas areias!
Eu que vivia com as estrelas a paredes meias…

E vieram de longe
Aqueles que ainda respiram,
Para verem como eu fazia,
Como conseguia.

Sem respirar?
Impossível!
É risível.
Incrível.

Virei atracção de circo de pulgas.
Virei homem canhão,
Mulher barbuda,
Aberração.

Desaprendi de respirar,
Descompassei o coração.
Caiu-me o mundo da mão.

Para que universo fugiu o meu ar?
Quem usa o meu oxigénio?
Pobre farsante numa palestra,
Num convénio.
Dou por mim quase morta.
Dou por mim por trás da porta
À espera que me venham buscar.

Desaprendi,
Desaprendi de respirar.


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Não fales com estranhos


A minha mãe sempre me avisou:

“Filha, não fales com estranhos.”

“Não contes segredos do teu passado a homem nenhum.
Ele vai servir-se disso para te achincalhar quando lhe der jeito.”

“Não digas tudo o que fazes.
Os homens usam as nossas virtudes contra nós.
Servem-se da nossa sinceridade para nos controlarem.”

“Nunca trates homem nenhum como se fosse um rei.
Os homens gostam de ser maltratados.
Mulheres boazinhas são vassouras nas mãos deles.
Às más, eles tratam como rainhas.”

“Mesmo que gostes muito dele,
Ele não precisa de saber.
Se tiver medo de te perder, anda contigo nas palminhas.”

“Não aprendas a cozinhar,
Não queiras lavar, esfregar, engomar.
Se não, vais ter uma vida igual à minha."

"Estuda, não penses em namoros.
Vai trabalhar, ganhar o teu dinheiro.”

“Quando eles dizem que querem uma mulher para a vida,
Querem empregada grátis para todo o serviço, cama incluída.”

A minha mãe sempre me disse
Que amores são fantasias.
E que os livros de romances fazem mal à cabeça das raparigas.

Eu ouvia o que ela me dizia,
E não acreditava.
Pensava que ela era louca, que delirava.

Passei toda a minha vida a tentar provar que ela estava errada.

Mas afinal estava certa.
Tão certa!

E agora, mamã?
Posso voltar atrás e ficar pequenina outra vez?
Abracadabra, um dois, três?…

(Imagem no Pinterest)


Mulher das cavernas

A mulher agia de forma tão espontânea que até doía!
Falava com uma candura, uma inocência tal que desarmava.
Olhava os passageiro nos olhos e sorria.
Ás tantas levantou-se do seu assento, e vai de abanar ass janelas que não abriam.

Eu observava-a deliciada.
Que idade teria?
Como é que conseguia?
Atravessou o inferno sem chamuscar as barbas, ao que parecia.

-É o ar condicionado que não funciona! Se não forem as janelas, não sei!
Os passageiros que entravam apercebiam-se da cena.
Estranhavam.
Claro!
Uma motorista desorientada pelos corredores,
numa disputa com os vidros perros de um mecanismo que não abria.
-Boa! Grande porcaria!
Era gorducha, anafada, transpirava, praguejava e ria.

Por onde terá andado escondida?
Como permitiram que chegasse até agora assim, tão pura?
Uma mulher das cavernas, numa camioneta urbana,
com retoques de fêmea forte, e modos de lutadora.
- Ponto,não consigo Vamos embora! Não há-de ser nada!
Suava, toda corada, mangas arregaçadas.

Odiei os passageiros que não diziam nada.
Não a compensavam nem com uma palavra.
Estavam chocados, olhavam para o lado.
- Deixe estar, o calor também não é tanto.- e sorri-lhe animadora.
A minha admiração por ela cresceu.
Porque invejo sempre quem é diferente.
Quem não se moldou, nem vergou, nem se perdeu.

Durante a viagem apenas uma ideia me ocorreu:
Cuidadosamente despenteada”...
Será?...
Maldito cepticismo,
Veneno moderno que corroí por dentro,
E não deixa acreditar
nas poucas estrelas que sabem brilhar.

(imagem de Lora Zombie, tirada do Google)


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Quem te perdeu de ti?



Quem te fez tanto mal assim?
Quem te usou, te feriu e te perdeu?

O que foi feito do teu sorriso bonito,
e por onde andam os teus suspiros dengosos?
Em que leito de rio se afogou a esperança que tinhas,
em que caixa guardaste a trança de menina?

Porque choras sempre,
até quando finges que ris?
De que lado queres cair?
Faz-te diferença ter aonde ir?

As histórias de fadas que te contaram,
quando deixaste de as acreditar?
Em que trenó sumiu o Pai Natal que costumavas esperar?

No tempo em que as ruas eram todas tuas,
lembras?
E cada dia era uma aventura que vivias...
como deixaste morrer o gosto de viver?

Quem?
Diz-me quem?
Quem foi?

Quem te fez tanto mal assim?
Quem te usou, te feriu e te perdeu?

E a imagem perdida no espelho
apenas diz:
Fui eu.

A quem pedimos contas por deixar de sonhar?



quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vejo tanta gente que passa!...



Rosto encostado à vidraça, a ver a rua que passa…
Tantas pessoas, tanta gente!
Todos têm casa, certamente.
Quantas casas precisam de haver!
Gosto de ficar, a ver…

Vão apressados uns, devagar outros.
Recolhem depois de um dia a mais,
Ou de um dia a menos…
Quem sabe?
Quem sabe para aonde vão,
Quem os aguarda,
Aonde penduram o chapéu…

Parecem decididos e determinados.
Busco por rostos parecidos comigo.
Perdidos,
Deslocados.
Mas não.
Todos vão para um lugar.
Para casa, suponho.
Para casa.

Cheiro a canela,
Cheirinho a casa…

Recordo com o rosto na vidraça,
Outros tempos,
Que não o tempo que passa.

Lembro…
Canela, bolo de forno, cera amarela…
E vejo-a a ela.

Obrigada por nunca teres ido embora afinal.
Obrigada por teres escolhido ficar.

Triste, saio da vidraça.
Que importa se não sei o caminho de casa?
Não faz mal.
Sei a que cheira a canela,
Já tive bolo no forno, chão com cera amarela.
Agradeço a ela.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A menina dança? Tem par, ou descansa?...



Deu-lhe a mão
Ajudou-a a descer.
Era muito velhinha a senhora.
Agradeceu a ajuda com um sorriso.
Apoiou-se no braço que ele lhe estendia com galanteria.
Tinha os cabelos brancos como farinha.
O rosto enrugado como um pergaminho.
A camioneta paciente esperava que ela descesse.
Os passageiros olhavam num tédio dormente.

Eles afastaram-se no seu passinho vagaroso.
Iam conversando os dois.
De que falariam?
Das compras, dos filhos, dos netos…

Certamente ele tinha tanta idade quanto ela.
Mas deu-lhe o braço.
Ajudou-a a descer.
Com galantaria.
Ela coquete sorriu, agradecida.
O homem da sua vida!
Uma vida tão comprida!...

Cuidadoso ele segue com ela.
Ainda a deve ver bela.
Garboso, vê-se que foi um jovem vigoroso.
Agora são um casal idoso.
E caminham devagarzinho pelas ruas, e avenidas.

Que Deus os abençoe e preserve,
Que a nenhum dos dois leve,

E que a noite quando vier, não os separe e seja breve.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Desilusões, somos desilusões


- Vou lá, e peço as contas!
Quero aproveitar os anos que me restam!
Não mais picar o ponto e suspirar pela saída!
Chega de desperdiçar anos a dormir em cima de papéis e mais papéis.
A vida está lá fora à minha espera.
E um raio me parta se não vou agarrá-la!
Ah, grand’Alentejo!
Uma herdade, uma horta, algumas galinhas, sossego…

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- Então? Correu bem?
O que disseram?
Ficaram boquiabertos, não? Imagino!...
Gostava de ter lá estado contigo.
És um exemplo, caramba!
Qualquer dia faço como tu.
Farto disto também.

- Hum, pois….

- Pois?

- Sabes como é…
Assinei um acordo, foi melhor…
Tinham que me dar uma pipa de massa.
Mas por mim até prefiro assim…

- Acordo? Mau…
Mas vais embora, ou não vais?
O Alentejo, a herdade, as galinhas?...

- Vou para o desemprego. Durante uns tempos fico por cá.
Estás a ver… o dinheiro dá sempre jeito.

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Eles têm-nos agarrados pelas partes fracas.
Atacam-nos pela algibeira, pela boca, pelas zonas baixas.
Corrompem-nos, matam os nossos ideais.
Tomam banho nas nossas aspirações.
Mas será que têm culpa?
Desistimos da pureza dos nossos sonhos, vendemo-nos por tuta-e-meia,
Como meretrizes batidas de rua.
Fracos, somos fracos.
Desilusões, somos desilusões.


Contos de fadas


Pessoas há que ficam connosco para sempre.
A sua presença nas nossa vidas,
não depende da proximidade.
Não depende de repartir cama, ou mesa.
Acontece para lá de qualquer vontade.

Há quem dê a esse sentimento o nome de amizade.
Também lhe chamam amor.
Almas gémeas, vidas antigas...
Não sabemos o que é ao certo.

A mão saberá porque se prende ao braço?
O pé perceberá porque não vive sem perna?...
É porque sim.
Sem razão.

Quando todos os outros fracassam, e se desmoronam,
e se transformam nos montes de sal grosso que sempre foram,
existem aqueles que estão aonde sempre estiveram.
Mesmo quando não os víamos.
Perto de nós,
Como sonhos sem voz.

Não sei se todos temos alguém assim.
Gosto de pensar que sim.
Acontece aonde não há fim.
É lá que vivem as fadas em mim.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Olha a laranjinha que caiu, caiu...



Cuidadosamente aproximou o regador da planta.
E verteu um pouco de água cristalina.
Primeiro foi a terra que se humedeceu, depois as raízes,
e por fim até as folhas e galhos puderam ser borrifados pelo precioso líquido.
Aguardou.
Nada.
Insistiu.

Desta vez a água jorrou com mais intensidade,
e chegou mesmo a transbordar do vaso.
Por baixo, o pratinho enchia-se e borbulhava audívelmente.
Até as formiguinhas que laboriosas trabalhavam num carregar incessante de migalhas,
foram convidadas a participar contrariadas na cascata transparente.

E nada.
Olhou de novo, agora preocupado.
Mas então!?...
Lembrou-se depois.
Ah, espera lá! Pois....

Veio-lhe à memória.
Foram dias, não foram?
Vários dias.
Se calhar foi por isso...

Toma lá mais água, porcaria de flor!

Nem que despejasse todo o oceano.
Era tarde.
Tinham bastado umas gotas, pois tinham!
Mas há alguns dias atrás.
Agora...

Não estava triste. Que é lá isso?
Só uma flor...
Aborrecido isso sim.
Afinal tinha-lhe custado dinheiro a estúpida da planta.

Mais uma aposta perdida, pensou.