sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Não existe beleza nas mortes estúpidas



Não existe beleza nas mortes estúpidas.
Nem tem poesia quem se consome devagarzinho.
Charme, carisma, rebeldia e contestação estão ausentes do medo.
Quem se estraga lentamente apenas inspira pena, faz dó.

Respirar encolhido os fumos que o hão-de matar…
Ou escarafunchar numa veia cheia de tromboses um sitio para picar…
Virar copos, e despejar garrafas num embriagar insano sem cessar…
Não, não é grandioso.
É mesquinho, e é aviltante.
Não é sensual, não tem nada de excitante.

Não existe beleza nas mortes estúpidas.

Ser pouco inteligente não é mea culpa certamente.
Mas é diferente quando se escolhe ser inconsciente,
Andar à toa por entre a gente,
Cavar a sepultura alegremente.

Talvez alguém tenha dito que é bonito,
Que é elegante...
Mentia quem disse isso.
É tolo o que se pavoneia vaidoso,
Em poses de quem leva um estilo de vida perigoso.
Existe mais charme num caracol que passeia a casa às costas,
e é mais interessante ver um sapo a apanhar moscas.
É mais empolgante um peixe a comer minhocas.

Não existem mortes belas.
É sempre um mistério falecer,
Mas que não sejamos burros, brutos, broncos e estúpidos na forma de morrer.


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