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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2017

Is anybody out there?

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Alguém me ouve? Existe alguém aí desse lado? Será que sou sozinha, E esta solidão é só minha, Ou há mais como eu?...
Outras pessoas sentem como eu sinto? A incerteza, o medo e o frio na alma, Atingem outros seres pensantes?...
Às vezes feliz, Às vezes negra como as trevas.
Com a insuportável mania de sempre acreditar. Teimosamente à frente de um pelotão, Assustada como um rato de esgoto.
Prima dona da fantasia. Fotografia numa manhã fria.
Preto e branco de nevoeiro. Dourada como a areia da praia. Colada a cuspo, Sempre acrescentada.
Será que passa com o tempo? Será que com o tempo isto passa?
Aonde um chão que seja meu? Aonde moram os outros que estão de pernas para o ar? Antípodas num globo arredondado… Somos um povo estranho disfarçado, Ou sou um projecto inacabado? Um esboço a solo, e errado?
Que idioma falam os iguais a mim? Quais as nações aonde habitam, Em que selvas se escondem?

"Só é seu aquilo que você dá" *

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- Degolei teu pai, e violei a tua velha mãe. Estrangulei os teus irmãos. Queimei o teu gado, e deitei fogo à tua casa.- Vociferava com o rosto encardido quase encostado ao dela. Enfurecido retorcia os olhos sedentos de sangue e de  luxúria.- E então? Rendes-te? - Nunca. - Percebes que tenho total poder de vida ou morte sobre ti, miserável criatura? Compreendes que nada daquilo que amavas existe já?- No auge da raiva arrancava punhados de cabelos da própria cabeça, e esbracejava enlouquecido. - Enganas-te. - Engano-me? Como ousas argumentar comigo? Tudo o que fiz não foi suficiente para te convencer da minha superioridade? - Quando fecho os olhos continuo a vê-los a todos. Quando fecho os olhos estou ainda na minha casa, na minha terra, perto da minha família. - Pois se é assim, arrancar-te-ei os olhos!- Nunca antes alguém se atrevera a desafiá-lo de tal maneira, e durante tanto tempo. - Não preciso destes olhos que vês, para olhar dentro de mim. Não duvido que me arranques os olhos, és capaz…

Chapéu e gabardina...

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O chapéu… A gabardina… Ele. De novo, e outra vez. Calmo e tranquilo, Porque sempre dizia que saber esperar é uma virtude.
Uma sentinela levantada do além, Um corpo sem matéria, Fantasma ou espectro da minha vida. Queria a mão dele na minha, como quando eu era pequenina. E queria a vastidão dos seus passos ao meu lado outra vez.
Passava entre um painel de vidro e outro… Esperava, ia embora novamente.
Como é que alguém tão vivo pôde morrer por tanto tempo?
Olha, olha pra baixo… Vê-me, e deixa que te veja…
Mas o fato era de uma cor diferente, Não usava gravata, E a pele não lembrava o aconchego do café.
Pois claro que não podia ser ele!
O que combinámos no bolor de uma caverna sem calor, Naquelas longas tertúlias nocturnas longe de casa, É que ele aparecia, e eu sabia, reconhecia.
Quando me perguntam se acredito em vida depois da vida, Eu digo que não, tal coisa não deve haver. Pois ele nunca voltou, nunca veio para me ver.

Para aonde vão as crianças felizes?

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Para aonde vão as crianças quando saem da escola? Quem as acolhe, Aonde moram elas?
Riem e saltam, Conversam e pulam. Para aonde vão?
Porquê tanto entusiasmo por acabarem as aulas? À medida que se aproximam do destino, Será que a alegria diminui?
Fazem menos barulho porque estão já cansadas? Ou porque ninguém espera do outro lado da porta?
Só o inferno aguarda algumas delas. Porque são tão alegres afinal? Como conseguem?
Mais um dia termina para as crianças que saem da escola. Na manhã seguinte lá estarão ansiosas à espera. Esperam o toque libertador… Talvez temam que o tempo passe depressa…
São traquinas, ou são medrosas? Frágeis, etéreas e delicadas. São valentes, ou são apenas aprendizes? Sementes danadas. Parirão gigantes barbudos e feios, Com verrugas nos narizes.
E as tuas crianças, para aonde vão quando saem da escola? O que as espera? Serão felizes?
Não me dizes?...