sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Chapéu e gabardina...




O chapéu…
A gabardina
Ele.
De novo, e outra vez.
Calmo e tranquilo,
Porque sempre dizia que saber esperar é uma virtude.

Uma sentinela levantada do além,
Um corpo sem matéria,
Fantasma ou espectro da minha vida.
Queria a mão dele na minha, como quando eu era pequenina.
E queria a vastidão dos seus passos ao meu lado outra vez.

Passava entre um painel de vidro e outro…
Esperava, ia embora novamente.

Como é que alguém tão vivo pôde morrer por tanto tempo?

Olha, olha pra baixo…
Vê-me, e deixa que te veja…

Mas o fato era de uma cor diferente,
Não usava gravata,
E a pele não lembrava o aconchego do café.

Pois claro que não podia ser ele!

O que combinámos no bolor de uma caverna sem calor,
Naquelas longas tertúlias nocturnas longe de casa,
É que ele aparecia, e eu sabia, reconhecia.

Quando me perguntam se acredito em vida depois da vida,
Eu digo que não, tal coisa não deve haver.
Pois ele nunca voltou, nunca veio para me ver.


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