Chapéu e gabardina...




O chapéu…
A gabardina
Ele.
De novo, e outra vez.
Calmo e tranquilo,
Porque sempre dizia que saber esperar é uma virtude.

Uma sentinela levantada do além,
Um corpo sem matéria,
Fantasma ou espectro da minha vida.
Queria a mão dele na minha, como quando eu era pequenina.
E queria a vastidão dos seus passos ao meu lado outra vez.

Passava entre um painel de vidro e outro…
Esperava, ia embora novamente.

Como é que alguém tão vivo pôde morrer por tanto tempo?

Olha, olha pra baixo…
Vê-me, e deixa que te veja…

Mas o fato era de uma cor diferente,
Não usava gravata,
E a pele não lembrava o aconchego do café.

Pois claro que não podia ser ele!

O que combinámos no bolor de uma caverna sem calor,
Naquelas longas tertúlias nocturnas longe de casa,
É que ele aparecia, e eu sabia, reconhecia.

Quando me perguntam se acredito em vida depois da vida,
Eu digo que não, tal coisa não deve haver.
Pois ele nunca voltou, nunca veio para me ver.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Espelhos da alma- Oferece se fores ajudar

Contaram-me todas as coisas

O cantinho da velha