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A mostrar mensagens de Março, 2017

Pobre ser complicado

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Não sei porque te percebo quando mais ninguém percebe. Nem sei como vejo em ti, coisas que são segredo.
Se vives no escuro, Como é que os meus olhos te distinguem nas trevas?
E se não tens luz, Como é que conheço as tuas guerras?
Sabes… às vezes tenho medo. Tenho receio.
Temo que não estejas tão longe como penso. Temo que sejamos mais parecidos do que espero.
Diz-me, O que sentes quanto te beijo?
És tu que trazes o frio, Ou sou eu que não me vejo?
Se fugir de ti, vivo ou morro?
Se te fores, será que me deixo?

Sad smile

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A Marília é uma mulher deliciosa. Sempre o foi, desde que a conheço, e tenho a sorte de a conhecer há um bom par de anos. Algumas pessoas diriam sobre ela, que é uma verdadeira força da natureza. Tão depressa as gargalhadas lhe saem da boca, como as lágrimas lhe escorrem dos olhos. É capaz de vibrar intimamente com coisas que deixam completamente indiferentes a maioria de nós. Gosto dela desde o inicio.
Porém, a Marília tem um problema. A sua forte emotividade provoca com frequência discussões em casa. O marido, e os filhos nem sempre reagem da melhor forma à explosão de energia que têm por perto. Os períodos de alegria são facilmente toleráveis, mas já os de tristeza originam fortes apreensões nos seus familiares. Incomoda não é, a gente sentir-se perto de alguém que sofre?...
Estive um período de tempo sem ver a Marília. Quando a reencontrei parecia outra pessoa. Já não chorava, é certo. Não cedia aos costumeiros momentos de depressão contemplativa que eu estava habituada a conhecer nela. Mas tamb…

O cantinho da velha

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Tu, Que estás aí, Agachada num canto escuro da minha mente.
Tu, Que vestes farrapos, E tens unhas como garras, e cabelos brancos desgrenhados.
Tu, Que tens medo, E te sentes assustada e sozinha.
Vem.
Não te faço mal.
Quero agradecer-te por todos estes anos Em que cuidaste de mim.
Ficaste coberta de feridas sanguinolentas, E marcada por cicatrizes enquanto me defendias.
Que importa se eram só ilusões, Se conspiravas fantasias?
Obrigada.
Não sei se sou capaz de viver sem ti. Não sei.
Mas vou tentar.
Um dia deixei-me sentada e pequenina, E fiquei à espera de me ir buscar.
Hoje solto-te da mão, Mas levo-te no meu andar.
Reunir todas três, Quem sabe?... Eu nela, em ti e em mim.
Sou-te demais para me abandonar.

Os ganchos dos teus cabelos

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Não és tu quem escolhe os ganchos do teu cabelo. Nem o corte, a altura, ou a forma de o segurar. Tanto te faz se vestes calças, ou saia, vestido ou calções. Os sapatos podem ser chinelos, sandálias, ou outros sem tacões.
Ignoras se estamos no Verão, se no Inverno. Nem sabes que existe mudança de estações. Março, Maio ou Dezembro não passam de insignificantes palavrões.
Se estás em Portugal, Moçambique, Austrália ou Canadá, Para ti é igual, tanto te faz. Os governos podem ser de direita, esquerda ou radicais, Os homens podem digladiar-se nas ruas, Os exércitos comportarem-se como seres infernais, Tu estás sempre em paz.
Anos chegam e vão, sem notares. Um beijinho, um abraço, Um tanto que dizes, mesmo sem falares.
Dinheiro? Profissão? Namorados, estudos, e outros assuntos complicados? O que é ? De que vale tudo isso? És um rio manso que corre sem parar.
Perdoa filha linda, Porque houve uma época em que eu te quis mudar.
Hoje sei que nada importa mais do que o verde fundo do teu olhar.
Cortaram-te as tranças, Diz…

No tempo em que os animais falavam

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“- Querida, não assustes os passarinhos!...” Irrequieta, a menina corria atrás dos pombos mulatos que invadiam a praça. Maiores ou mais pequenos, todos batiam asas e esvoaçavam incomodados.
“- Deixa os pombinhos sossegados!” As gargalhadas infantis cortavam o silêncio da tarde de quase Primavera.
Eram dezenas as aves que se passeavam naquele dia. Se fosse possível escutarmos o que pensavam, Que seria feito da nossa ilusão de passarinhos e pombinhos, Lindinhos e pequeninos?...
O pombo macho de peito inchado atarefa-se atrás de uma fêmea. Dança para cá, dança para lá… Se te apanho! Anda cá, minha grande figurona! E já a pomba enfastiada do assédio se mistura na turbe dos outros pássaros. Se me quiser venha atrás! Julga que não o vejo rondando todas as outras!
Lá mais à frente são três os pardais em volta de um só pedaço de bolo. Larga! É meu! Cheguei primeiro! Pois então vem tirar, vem se és capaz! Passa mas é para cá isso! Bicada aqui, bicada ali, e as coisas azedam entre patadas e saltos desajeitados.
D…