sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 15 de abril de 2017

Enquanto eu me preocupar...



A Alzira nunca tinha sido muito de gritar.
Toda ela era sorrisos, e palavras meigas.
A Alzira também nunca fora de ralhar. Gostava de conversar, era faladora.
Havia dias em que a cabeça lhe explodia de dor.
Ela sabia que se tinha transformado em alguém que inspirava horror.
Tanto que ela queria que todos se dessem bem!...
Tanto que tinha lutado para não haver dor…
Mas gritava de manhã à noite.
E dizia coisas que a magoavam mais a ela, do  quem aos outros.

Sofria.
A Alzira sofria.
Lá fora ninguém sabia.
Estúpidos, emproados, convencidos que o mundo gira para o lado que sabem de cor.
Todos os dias mais uma lágrima escorria.
E cada madrugada era uma tristeza que nascia.

Convencida que já não aguentava, a Alzira calou-se.
Deixou de gritar.
Deixou de ralhar.
Deixou.

Encolheu os ombros e deixou andar.
Muito peso esmaga quem o tenta carregar.
Agora a Alzira vive dentro e fora.
Já não tem gritaria.
Mas ainda chora.

Deixou de ralhar a Alzira.
Deixou.

Mas no dia em que tal aconteceu,
Foi no mesmo dia em que tudo se perdeu.


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