sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 29 de abril de 2017

Sardinhas Portuguesas



Era ao meio da tarde, tarde de quase Verão.
Tudo estava vermelho e ruivo, labaredas e fogo.
A montra escarlate reluzia, e chispava centelhas acobreadas de encontro aos olhos dos passantes.
Sardinhas portuguesas!
Última grande moda, muito gabada e por todos apreciada. Até por aqueles que dantes franziam o nariz à menção das sardinhas- comida de pobre, como eram conhecidas.

Ela encostou-se ao vidro, provocante, vermelha e bela.
Cores rubis desprendiam-se dela, faziam parte dela.
O vestido era colorido, daqueles que eu nunca compraria para mim, mas que adoro ver nas outras. Solto e leve, voava na brisa quente.
Por detrás da moça bonita, as sardinhas encantavam nas suas latas berrantes e garridas.
À frente da musa em chamas, um rapaz afadigava-se de máquina em punho. Inconsciente de que tinha á frente uma coisa tão linda, tão quente.
Ela sorria, e com ela ria todo o mundo.
Até as sardinhas enlatadas se aconchegavam melhor nas latas pintadas.

Eu andava à procura de inspiração.
“Ver de dia, para escrever de noite.”- e assim fazia.
Não podia ter encontrado melhor!
A mulher ruiva linda,
A montra rubra,
E as sardinhas.
Sardinhas Portuguesas!

E viva quem tem boas ideias, quem faz com coisas velhas, coisas certeiras.
Viva quem transmuta as ideias feias.
Abençoada seja a moda das fotografias que conjuga mulheres e sardinhas,
Bonitas, gordinhas, picantes, pequeninas.


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