sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Todas tão assim, quase como a mim


Aqui há alguns anos conheci a Raquel, e pensei que ela era a melhor mãe do mundo.
Gostava e protegia os filhos de uma forma absolutamente encantadora.
Fiquei até envergonhada com a minha forma meio ao de leve de ser a mãe que conseguia ser.

Depois encontrei a Lurdes, e pensei que também ela era uma das melhores mãe do mundo.
Não olhava a meios para cuidar dos filhos, e aguentava todas as provações com um sorriso no rosto. Senti-me tão triste por não ser igual a ela, e recriminei-me duramente pelas vezes em que me queixava, e chorava!

Nos anos que se seguiram travei amizade com muitas outras mães.
E para espanto meu todas eram muito melhores do que eu.
Desesperada dei por mim a condenar-me, era a mais malvada, egoísta e negligente figura materna que habitou este planeta.
Por comparação a mim, até a gata vadia do quintal era melhor progenitora.


Mas depois descobri que a Raquel afinal não era tão maravilhosa assim.
Espancava os filhos, e trancava-os em casa sempre que ficava deprimida.

A Lurdes também foi uma desilusão,
Para não enfrentar o marido bêbado, deixava os filhos viverem num inferno permanente.

E as outras…
Todas as outras mães que sempre me tinham parecido exemplares,
Eram bem vistas as coisas tão iguais a mim!…

Não sei se ri, ou se chorei
Ao ver que o mundo é mais triste do que eu pensei.
Mas uma coisa aprendi:
Não sou melhor, nem pior do que ninguém.
Somos todos tão assim.
E agora, que sei isso,  gosto muito mais de mim.

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