sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 21 de maio de 2017

Nómadas no deserto


Todos nós temos um lugar secreto, que é só nosso, e não queremos partilhar com ninguém.
Receamos que se o expusermos, se conspurque, se perca, se desvirtue.
Ocasionalmente encontramos um estranho no nosso lugar secreto.

De início não nos sentimos à vontade, e desejamos que ele parta, e vá embora.
Mas com o passar do tempo, a convivência com o invasor, torna-se menos penosa, e nalguns casos até agradável.
Baixamos as defesas e começamos a integrar o estrangeiro na nossa vida.
É como se ele começasse a fazer parte do cenário idílico que era a nossa privacidade.
Acabamos por acreditar que a chegada dele foi de certa forma positiva.
Consideramos a sorte que tivemos em que tenha sido esta, e não outra pessoa a descobrir o nosso porto seguro.

Por vezes descobrimos que afinal o receio estava certo.
Outras vezes mantemos a satisfação de ter o estranho por perto.
Mas todo o ser humano ama o secreto.
E é um instante enquanto inventamos outro paraíso.

Se os homens não teimassem em invadir fronteiras,
Haveriam menos guerras,
E menos necessidade de inventar bandeiras.
Mas não.
Teimam em construir acampamentos,
Em terrenos batidos por mil ventos.
Sem pedir licença,
Sem querer saber.
Somos nómadas porque os de longe nos obrigam a viajar,
Numa eterna busca por um outro lugar.


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