sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Oração dos meninos perdidos



Eu tenho um anjo da guarda.
Sei que tenho.

Tem-me protegido em todas as situações difíceis da vida!

Esteve comigo quando a minha mãe morreu.
Deu-me a mão quando ensaiei os primeiros voos,
fora da gaiola pendurada na caverna.

Desviou das minhas veias seringas infectadas,
E selou os meus pulmões a fumos intoxicantes.
Tornou-me imune a comportamentos viciantes.
Fechou as minhas pernas quando eu teimava em as abrir,
Secou as minhas entranhas a sementes estranhas.

Embalou o meu choro de adolescente.
O meu anjo da guarda…

Quando me julgava sozinha,
Ele velava por mim.
Melhor do que qualquer mãe terrestre.
Mais compassivo do que qualquer pai humano.

Colocou no meu caminho boas pessoas.
Iluminou o meu coração quando eu teimava em chafurdar nas trevas.
Lavou a minha alma quando eu a enchi de lama.

Levou para longe os seres do mal que pretendiam ser de luz.
Mesmo quando eu suplicava para os ter comigo.
O meu anjo da guarda…

Sou pobre, tão pobre!
Nada tenho de meu neste mundo tão grande.
Nem terra, nem lar, nem um chão que reconheça como asilo.
Morreram todos os que eram meus porque sim.
Mudou de nome e de endereço o mundo que me viu nascer.
Fiquei sozinha, só eu e mim.

Mas ele está lá sempre.
Lá, aonde ele estiver.
Aonde posso senti-lo quando o chamo.
O meu anjo da guarda…

Não me abandones, meu anjo!
Não me largues à beira da estrada.
Preciso de ti.
Preciso tanto de ti!
Perdoa as vezes em que pareço mal agradecida.


Um beijinho, da tua menina perdida.

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