sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 14 de maio de 2017

Os meninos de alguém



Todos fomos os bebés de alguém.
Todos fomos pequeninos e amorosos.
Em nós albergavam-se  as promessas do mundo,
Nos  olhos inocentes guardávamos a candura, e a pureza.

Alguém se inclinou sobre o nosso berço sorrindo.
Alguém pensou que éramos os mais lindos, os mais perfeitos.
Até os que não tiveram nem pai, nem mãe,
Foram os meninos de alguém.

Quando vimos as fotografias antigas dos tempos de pequeninos,
As lágrimas assomam aos nossos olhos míopes de tanto pensar.
Mentimos quando dizemos que choramos com saudades,
Que temos falta dos que partiram.
Choramos com pena de nós mesmos.
Choramos porque perdemos aquela expressão no olhar.
Ficamos tristes porque nos prostituímos a cada dia que passou,
E queremos saber o caminho de volta, e o caminho secou.

Todos fomos os bebés de alguém.
Até os que não tiveram pai,
Até os que não tiveram mãe.

Hoje somos órfãos de um tempo que acabou,
E espreitamos os berços dos nossos filhos num encanto esperançoso.
Que não chorem, que não sofram também!
Que possam ser para sempre, ao menos eles, os meninos de alguém.


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