Sombras na vidraça



Fechou a porta atrás da última pessoa que saiu.
Finalmente estava sozinha.
Tinham-na felicitado, questionado.
Tinham-se interessado em saber como fora capaz.
Disseram-lhe que outra no seu lugar estaria destruída.
Mostraram-lhe estatísticas, e estudos científicos.
Não havia dúvida.
O embate com alguém tão destrutivo era sempre fatal.
Ela sobrevivera.
Como?
Não sabia.
Ou sabia…

Havia apenas uma situação em que a vitima saía ilesa da relação com um psicopata.
Apenas uma.
Tal como os cães não se comem uns aos outros, os psicopatas não se atacam entre si.
Sentia o mal a circular-lhe nas entranhas, misturado no sangue e no pus dos pensamentos.
Apenas uma maneira de escapar.
E ela conseguira.
Como conseguira?
Não sabia.
Ou sabia…

Criaturas da noite…
Cruzam-se, cheiram-se.
Ignoram-se, ou acasalam em coitos danados.
A sombra de um sorriso maléfico desenhou-se-lhe no rosto.
Afinal tinha vencido.
Ou será que ele a tinha convencido de que era assim?
Não sabia.
Ou sabia…

As ideias martelavam-lhe o cérebro,
Dizem que ainda sorria quando chegou ao chão.
Longe, por trás das vidraças quebradas de um asilo,
Ele esperava.
Ela viria.
Sombra errante sem nenhuma valia.

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