sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A lenda dos meninos perdidos



No canto da sala, duas crianças pequenas olhavam.
Olhavam os pais que enlouquecidos gritavam.
Era suposto serem aquelas as criaturas que mais as deviam amar no mundo,
Eram para ser pessoas sábias, maduras, inspiradoras…
Como possuídos esgrimiam insultos, e berros uivados.
Esquecidos das meninas que aterrorizadas se davam as mãos, encolhidas.

Cresceram assim,
Viciadas no drama e no medo.
Pobres pequeninas de mãos dadas num mundo que não percebiam.

Outros seres enlouquecidos vieram.
Outros que supostamente as deveriam amar, e proteger, e cuidar.
Mas eram lobos famintos, e sedentos,
E elas não os sabiam distinguir.

Tinham-se acostumado ao desvario, e à aberração,
Não tinham como avaliar.
Nem sabiam que existia diferente.

Porque tinham sempre medo,
Sorriam sempre.
Na esperança que os seus sorrisos aplacassem a ira das criaturas das trevas.
Pobres delas…
Eram os seus sorrisos que as perdiam, que os atraíam.

Parem seus pais loucos!
Parem de fabricar crianças infelizes!
Como se atrevem?
O que vai ser feito desses pequeninos um dia?
Não tenham filhos se não for para lhes dar amor,
Para os criar com carinho.


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