sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Como seria....


De vez em quando a Liliana via como poderia ter sido a sua filha.
Não é que tivesse morrido,a filha das suas entranhas.
Não estava morta, mas era como se não estivesse viva.

A Liliana conseguia vê-la nas moças que passavam.
Conseguia ver como ela deveria ter sido, se tudo tivesse corrido bem.
E não é que correr bem, fosse algo tão inatingível...
Mas não, não tinha corrido nada bem.

Sempre que passava uma jovem loira, de olhos verdes, pele rosada, a Liliana imaginava.
Meio gordinha, não muito alta, não muito pequenina.
Que linda seria!...

E a cada homem que guloso olhava aquela que teria sido a sua filha, uma lágrima escorria.
Nunca namoraria, nunca beijaria...
Espreitava por uma janela que nunca se abriria.

A Liliana perseguia com o olhar as jovens que estouvadas riam.
Fantasiava que era ela, como ela riria.

Antes de o galo cantar, o negarás três vezes.
E ela negara.
Ela repetira.
Com que direito chorava?

Não fora sua a mão que ferira,
Mas ela colocara o sal na ferida.
Maldita a Liliana!
Mil vezes maldita!

As lágrimas de sangue da profecia...
Imaginava que sabia agora como seriam,
Imaginava o gosto a que sabiam.


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