sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Salvem as nossas almas




-Não vou!
Cruzou os braços e ficou.
-Não vou!- num grito quase chorado.
Em pé no meio do caos.
Sozinha contra as ondas do mar.
De nariz empinado para os gigantes que a queriam derrubar.

Coitadinha dela.
Como não vai?
Não tem ordem de escolher nada na vida.
Se lhe disserem, vai, ela vai.
Se lhe disserem, fica, ela fica.
Ninguém está interessado na opinião dela.
Nem tem direito de opinar.

Mas diz que não vai.
E cruza os braços num grito quase chorado.

Não chores, querida. Não chores.
Está tudo bem.

-Não vou!
Enquanto a arrastam pelos braços.
-Não vou!
E a agulha rasga de novo a veia encolhida.

Não chores, querida.
Larguem-na, disse que não ia!

Não acreditam em vozes, nem em fantasmas.
Seguem.

Desculpa.
Só desculpa.
-Não choro. Não estejas triste. Já vai passar.


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