sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Desilusões, somos desilusões


- Vou lá, e peço as contas!
Quero aproveitar os anos que me restam!
Não mais picar o ponto e suspirar pela saída!
Chega de desperdiçar anos a dormir em cima de papéis e mais papéis.
A vida está lá fora à minha espera.
E um raio me parta se não vou agarrá-la!
Ah, grand’Alentejo!
Uma herdade, uma horta, algumas galinhas, sossego…

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- Então? Correu bem?
O que disseram?
Ficaram boquiabertos, não? Imagino!...
Gostava de ter lá estado contigo.
És um exemplo, caramba!
Qualquer dia faço como tu.
Farto disto também.

- Hum, pois….

- Pois?

- Sabes como é…
Assinei um acordo, foi melhor…
Tinham que me dar uma pipa de massa.
Mas por mim até prefiro assim…

- Acordo? Mau…
Mas vais embora, ou não vais?
O Alentejo, a herdade, as galinhas?...

- Vou para o desemprego. Durante uns tempos fico por cá.
Estás a ver… o dinheiro dá sempre jeito.

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Eles têm-nos agarrados pelas partes fracas.
Atacam-nos pela algibeira, pela boca, pelas zonas baixas.
Corrompem-nos, matam os nossos ideais.
Tomam banho nas nossas aspirações.
Mas será que têm culpa?
Desistimos da pureza dos nossos sonhos, vendemo-nos por tuta-e-meia,
Como meretrizes batidas de rua.
Fracos, somos fracos.
Desilusões, somos desilusões.


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