sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mulher das cavernas

A mulher agia de forma tão espontânea que até doía!
Falava com uma candura, uma inocência tal que desarmava.
Olhava os passageiro nos olhos e sorria.
Ás tantas levantou-se do seu assento, e vai de abanar ass janelas que não abriam.

Eu observava-a deliciada.
Que idade teria?
Como é que conseguia?
Atravessou o inferno sem chamuscar as barbas, ao que parecia.

-É o ar condicionado que não funciona! Se não forem as janelas, não sei!
Os passageiros que entravam apercebiam-se da cena.
Estranhavam.
Claro!
Uma motorista desorientada pelos corredores,
numa disputa com os vidros perros de um mecanismo que não abria.
-Boa! Grande porcaria!
Era gorducha, anafada, transpirava, praguejava e ria.

Por onde terá andado escondida?
Como permitiram que chegasse até agora assim, tão pura?
Uma mulher das cavernas, numa camioneta urbana,
com retoques de fêmea forte, e modos de lutadora.
- Ponto,não consigo Vamos embora! Não há-de ser nada!
Suava, toda corada, mangas arregaçadas.

Odiei os passageiros que não diziam nada.
Não a compensavam nem com uma palavra.
Estavam chocados, olhavam para o lado.
- Deixe estar, o calor também não é tanto.- e sorri-lhe animadora.
A minha admiração por ela cresceu.
Porque invejo sempre quem é diferente.
Quem não se moldou, nem vergou, nem se perdeu.

Durante a viagem apenas uma ideia me ocorreu:
Cuidadosamente despenteada”...
Será?...
Maldito cepticismo,
Veneno moderno que corroí por dentro,
E não deixa acreditar
nas poucas estrelas que sabem brilhar.

(imagem de Lora Zombie, tirada do Google)


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