sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vejo tanta gente que passa!...



Rosto encostado à vidraça, a ver a rua que passa…
Tantas pessoas, tanta gente!
Todos têm casa, certamente.
Quantas casas precisam de haver!
Gosto de ficar, a ver…

Vão apressados uns, devagar outros.
Recolhem depois de um dia a mais,
Ou de um dia a menos…
Quem sabe?
Quem sabe para aonde vão,
Quem os aguarda,
Aonde penduram o chapéu…

Parecem decididos e determinados.
Busco por rostos parecidos comigo.
Perdidos,
Deslocados.
Mas não.
Todos vão para um lugar.
Para casa, suponho.
Para casa.

Cheiro a canela,
Cheirinho a casa…

Recordo com o rosto na vidraça,
Outros tempos,
Que não o tempo que passa.

Lembro…
Canela, bolo de forno, cera amarela…
E vejo-a a ela.

Obrigada por nunca teres ido embora afinal.
Obrigada por teres escolhido ficar.

Triste, saio da vidraça.
Que importa se não sei o caminho de casa?
Não faz mal.
Sei a que cheira a canela,
Já tive bolo no forno, chão com cera amarela.
Agradeço a ela.

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