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A mostrar mensagens de Agosto, 2017
https://www.enviamecartas.com/porta-no4-carta-de-ms 
Envia-me cartas", fotografias- Raul Reis, uma exposição patente ao público até ao dia 5 de Setembro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Vale a pena visitar, e participar.

Olá, princesinha do meu coração.
Espero que ainda gostes um bocadinho pequenino de mim, que não me guardes mágoa, nem estejas zangada comigo. Mas acima de tudo, desejo que não estejas triste, e que tenhas a bênção de não ser infeliz. A tua inocência tranquila é um bálsamo que não mereço, mas que deixa no ar a sensação de que não fui tão monstruosa assim.
Minha filha bonita, continua a viver na contemplação sossegada de quem não espera mais nada. Aprecia as pequeninas coisas que te fazem sorrir e desculpa, meu amor, eu ter tentado que fosses diferente. Perdoa não me ter contentado com os teus beijinhos e abraços. Perdoa os meus estúpidos esforços para te ensinar o que não podias aprender. Não era por mal. Queria que fosses igual a toda a gente, ou pelo menos não muito…

Desaprendi de respirar

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De tanto suster o ar para não engolir fumo, De tanto evitar a humidade e o bolor, De tanto teimar em não desmaiar, Desaprendi de respirar.
E hoje já não inspiro, Apenas suspiro.
Deixei de viver, Passei a não ser.
Desaprendi de respirar…
Logo eu que amava o mar! Logo eu que fazia amor nas areias! Eu que vivia com as estrelas a paredes meias…
E vieram de longe Aqueles que ainda respiram, Para verem como eu fazia, Como conseguia.
Sem respirar? Impossível! É risível. Incrível.
Virei atracção de circo de pulgas. Virei homem canhão, Mulher barbuda, Aberração.
Desaprendi de respirar, Descompassei o coração. Caiu-me o mundo da mão.
Para que universo fugiu o meu ar? Quem usa o meu oxigénio? Pobre farsante numa palestra, Num convénio.