Os faca no bariga



Espeto os facas no bariga!
Espeto mesmo!
Mas em vez disso um sorriso polido.
Um sorriso bonito.
É o que eu digo!
E a mula da velha rezingona...
A fazer-se de fina.
A dar-se ares de ter importância.
Que não, e que não.
Que não lhe parecia...
Não haveria mais nada?
Que pobreza!...

Ah, espeto! Espeto!
Os facas no bariga da passa seca.
Tanta luta para largar uns tostões!
Avareza!
Dava-lhe um sacão na bolsa,
ia mala, ia tudo!...
Grande besta!

Pingo no nariz da ginja chupada.
No nariz torcido.
Finge que quer e não quer.
Avalia e apalpa.
Pergunta-me quanto custa.
Preço?
Para si é de graça,
faço-lhe esse favor.
Esse e o outro de não lhe vazar as tripas.
Que obrigada,muito obrigada!
Não é grande coisa, mas...
Some-te de mim criatura.

Espeto os faca no bariga
Desanda asna cagueira.
Não me sujes a banca,
não me arruínes a feira!


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