Maningue xunguila (muito bonita)



Na quente noite africana, corpos nus dançam.
Transpiração misturada com sangue e lágrimas.
O tambor ecoa aonde as hienas bebem, nos charcos parados.
No mato os leões rosnam e aprovam.
Os elefantes derrubam arbustos enquanto escutam.

África fala.
África dança.
Mãe, olha nós...

Negros, brancos, mulatos,
filhos sem mãe,
mortos vivos, errantes e amaldiçoados.

A carapinha embrulha-se nos cabelos menos ondulados,
a catinga cheira a perfumes caros.
As mamanas exibem seios perfeitos e bem cuidados.
Os madalas não querem ser grisalhos,
e os mufanitas viraram pirralhos.
Os ventres estão fecundados,
mas os rebentos são bastardos.

Na noite quente, África dança.
África rebola nos traseiros ensandecidos dos feiticeiros que oram.
Mãe, olha nós...

Há quem diga que és mulher da vida.
Que te vendeste, estás perdida.
Outros dizem que continuas uma cabrita bonita,
o corpo negro coberto de capulana e chita.

Mas tu, indiferente a todos danças.
E pulas.

Pára África, pára com a tontaria!
É noite, está escuro,
E o capim está prenho de satanhocos impuros.
A cacimba cai com nostalgia.

Deixa nós subir...
vamos cair no batuque maningue xunguila.
M’arrebenta o corpo numa toada feita de loucura…

Não nos renegues Mãe!
Mãe África dança.



P.S. África dos meus sonhos e das minhas saudades, kanimambo, hambanine e até um dia

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