Tantos são os gostos da vida



Gosto de…
Eu gosto de passear as pernas vestidas em meias brilhantes nas ruas cheias de gente.
Gosto da sensação de frio que se sente quando o rabo escorrega devagarinho pela parede cheia de sangue, depois de um tiroteio.
E gosto de me encolher em cima do sofá para afugentar o frio da noite.
Também gosto de apanhar as migalhas que caem para o colo, uma a uma, depois de comer bolachas de água e sal.
Gosto de quando me estendem uma mão com cheirinho bom, de alfazema lavada, com promessas de tudo, sem certezas de nada.

Gosto…
Gosto do barulho da trovoada e da cor dos relâmpagos na tempestade, e da saudade que todo isso me traz de uma África distante.
Ah, e gosto de gelado de chocolate comido em taças de alumínio sem brilho…
E da casca bem tostada do frango frito ou do leitão assado.
Gosto do medo que o escuro desvenda sempre que uma porta nova se abre.
Também gosto do vento fresco nas tardes muito quentes (o vento sagrado do mar).

Gosto…
De sentir como se houvesse electricidade nas veias, ou como se o sangue tivesse efervescência.
Gosto do cor-de-laranja e do verde alface, e do vermelho que faísca como lume.
Gosto do intenso.
Gosto do imenso,
Mesmo quando o infinito não vai além do vidro de um computador.

Gosto que não me digam o que fazer.
E também gosto de quando me apetece fazer o que me dizem.
E gosto de não ter horas para entrar.
Gosto de um lugar para onde voltar.
E de saber que chova, ou faça sol, posso sempre  aqui estar.


Porque só vale a pena viver enquanto se gostar da vida.

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