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A mostrar mensagens de Janeiro, 2018

Fechada a porta, deitada fora a chave

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-Tu, o que queres? Fechava-se em copas… -Vamos! Não temos o dia todo! Nada de nada.
-O que queres? Sabia lá!.. Fazia lá ideia daquilo que queria!...
Fingia. Fingia que sabia.
O mundo não tem muita paciência com quem é hesitante. -Escritor preferido? -Fulano tal. -Compositor predilecto? -Beltrano. -Pintor adorado? -Sicrano! Claro, Sicrano.
Era fácil. Bastava responder. Mas se perguntado daquela maneira…
-Tu, o que queres?... Ora!
D. Juan decrépito, desprezando como inúteis, antigos amores. Leão velho e desdentado, esfomeado, frente a veados de sangue novo. Pobre eunuco castrado, instado a copular com bailarinas das mil e uma noites.
-Não temos o dia todo!
Á volta cães vadios passeavam sem peladas de coleira. Gatos escanzelados miavam alegrias simples em telhados quentes. Aves de arribação exultavam loucuras errantes.
-O que queres? -Não ter de saber!
Queria não ter de saber. Será que servia como resposta?... Era bom que sim.
Para que lhe perguntavam aquilo que a tinham forçado a esquecer?

Que saudades da minha terra!...

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Tenho saudades da calma tranquila das tardes da minha terra. Tenho saudades do vento que era morno e era quente, e batia devagarinho na face, agitava descaradamente os cabelos.
Quem me dera agora aquele gosto bom de fim de dia! Queria aquelas cores!... Era vermelho, era laranja, ouro e fogo…
E as estrelas?... Olhá-las de novo tomara eu! Mas estas estrelas não brilham de igual maneira. Nem o céu é de um veludo tão negro, Nem os grilos cantam perto dos ouvidos… Cri-cri-cri… Cri-cri-cri… Esperem, esperem por mim!...
Que saudades!
O mar era um tapete comprido, Um tapete estendido durante metros e metros…
E eu nunca tinha frio. Nem sabia o que era o frio. Tinha pai, mãe e irmã, E uma rua que era minha, E possuía a certeza de tudo.
Não sei se lá vou voltar algum dia, À minha terra… Ou se vou antes morrer longe, deste lado do mar.
Tu, que vais pisar de novo aquela areia que já foi minha, Leva um beijo meu às palmeiras e às gaivotas, Dá um abraço ao capim molhado de cacimba.

Ciranda, ciência e sofás quentinhos

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Às vezes temos de dar a volta a todo o quarteirão, só para perceber que temos o melhor pedaço de chão… Precisamos de bater a várias portas fechadas para mendigar o que já possuímos e é nosso… Temos necessidade de ouvir da boca de outros aquilo que sempre nos ensinaram em casa… Acreditamos se nos mostram que é, e desconfiamos do que conhecíamos…
Somos atraídos pelo abismo, mas sabemos que não temos pé… E damos por nós a mergulhar em águas geladas que nos afogam certamente… Temos sede e fome de bater com a cabeça desprotegida em todas as esquinas cortantes deste mundo… Fingimos que inventámos a roda, quando é tão miseravelmente pequeno aquilo que descobrimos!…
Praguejamos e esperneamos, Bracejamos e reclamamos, Vociferamos contra o destino.
Porquê esta absurda vontade de testar limites? Porquê esta irracional apetência para a perdição?
Disseram-me um dia que tenho veneno no sangue. Vejo agora que todos boiamos em cicuta e arsénico, tal qual mosquitos afogados em mel, igual a moscas apanhadas com fel.
Se …

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Any body out there?...

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Tira o cabelo dos olhos e vê a rua. Vê como a chuva lavou a calçada… Repara na cor negra do alcatrão mal cuidado.
Afasta, Afasta as lágrimas. Engole os medos e os tremores.
Precisas de ver claramente, Porque é Inverno e o tempo está escuro. Toma conta das horas, Não vá a madrugada surpreender-te acordado. De noite deves dormir. Sempre. Lá fora ainda é dia… Isso. Vai em frente, faz-te ao caminho.
Na próxima esquina fica a Primavera, E voltas a ser menino. Cala, Cala as palavras que querias dizer. Segue. Segue.
Um pé à frente do outro, Deixa que venha o que tiver de ser. És livre. Sentes isso?