Ciranda, ciência e sofás quentinhos



Às vezes temos de dar a volta a todo o quarteirão,
só para perceber que temos o melhor pedaço de chão…
Precisamos de bater a várias portas fechadas para mendigar o que já possuímos e é nosso…
Temos necessidade de ouvir da boca de outros aquilo que sempre nos ensinaram em casa…
Acreditamos se nos mostram que é, e desconfiamos do que conhecíamos…

Somos atraídos pelo abismo, mas sabemos que não temos pé…
E damos por nós a mergulhar em águas geladas que nos afogam certamente…
Temos sede e fome de bater com a cabeça desprotegida em todas as esquinas cortantes deste mundo…
Fingimos que inventámos a roda, quando é tão miseravelmente pequeno aquilo que descobrimos!…

Praguejamos e esperneamos,
Bracejamos e reclamamos,
Vociferamos contra o destino.

Porquê esta absurda vontade de testar limites?
Porquê esta irracional apetência para a perdição?

Disseram-me um dia que tenho veneno no sangue.
Vejo agora que todos boiamos em cicuta e arsénico,
tal qual mosquitos afogados em mel,
igual a moscas apanhadas com fel.

Se ao menos não fosse tão difícil apenas crer!...
E se na consumação dos séculos tudo for  como os antigos pregavam?...

Abjecta ciência esta que nos tira o sono,
nos rouba o conforto da inocente sabedoria…
sem em troca nos oferecer diferente saber,
sem nos dar uma nova magia.


Comentários

  1. Obrigada Luis! Fico contente por ter gostado, e por ter enviado um comentário. É sempre muito gratificante saber que alguém está aí desse lado. Volte sempre!

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