Que saudades da minha terra!...



Tenho saudades da calma tranquila das tardes da minha terra.
Tenho saudades do vento que era morno e era quente,
e batia devagarinho na face,
agitava descaradamente os cabelos.

Quem me dera agora aquele gosto bom de fim de dia!
Queria aquelas cores!...
Era vermelho,
era laranja,
ouro e fogo…

E as estrelas?...
Olhá-las de novo tomara eu!
Mas estas estrelas não brilham de igual maneira.
Nem o céu é de um veludo tão negro,
Nem os grilos cantam perto dos ouvidos…
Cri-cri-cri…
Cri-cri-cri…
Esperem, esperem por mim!...

Que saudades!

O mar era um tapete comprido,
Um tapete estendido durante metros e metros…

E eu nunca tinha frio.
Nem sabia o que era o frio.
Tinha pai, mãe e irmã,
E uma rua que era minha,
E possuía a certeza de tudo.

Não sei se lá vou voltar algum dia,
À minha terra…
Ou se vou antes morrer longe, deste lado do mar.

Tu, que vais pisar de novo aquela areia que já foi minha,
Leva um beijo meu às palmeiras e às gaivotas,
Dá um abraço ao capim molhado de cacimba.
E se fores ao velhinho Vasco da Gama empurra um baloiço no meu lugar,
Cada vai-e-vem que ele fizer,
Serei eu a chorar.


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