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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2018

Psicopata- "...designação atribuída a um indivíduo com um padrão comportamental e/ou traço de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela presença de uma atitude de dominância desmedida. Esse tipo de comportamento agonista é relacionado com a ocorrência de delinquência, crime, falta de remorso e dominância, mas também é associado com competência social e liderança. A psicopatia, descrita como um padrão de alta ocorrência de comportamentos violentos e manipulatórios, é frequentemente considerada uma expressão patológica da agressão instrumental, além da falta de remorso e de empatia",wikipédia

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A vida não consegue sempre ser tão bonita quanto gostaríamos. Ainda assim é a única coisa que temos, portanto é preciso aprender a aproveitá-la o melhor possível.” Amália seguia compenetrada destas, e de outras verdades, quando se deparou pela primeira vez com Rafael.
Muito mais velho do que ela, com o charme que os cabelos grisalhos sempre conferem aos homens, Rafael era um belo exemplar masculino, e apesar da aliança reluzente no dedo dele, Amália interessou-se pelo seu sorriso triste e pelos seus olhos de amêndoa por descascar.
Tudo parecia um conto de fadas. Ele separou-se da esposa (que aliás não esboçou o menor movimento para o ter de volta) em menos de um mês de relacionamento com Amália… Em menos de dois meses estavam a morar juntos, com ele a mandar e desmandar no tempo dela, nas escolhas dela e na forma como Amália gostava de levar os dias. Ainda pior do que a sua mania controladora, era a mesquinhez de sentimentos que se adivinhava maior a cada semana que passava.
Amália era …

Mendigo, sem abrigo

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Hoje passou por mim um mendigo, Desses que dizem ser sem abrigo. Trazia a tristeza do mundo nos olhos sombrios. Porquê tão triste? Porquê tanta escuridão no rosto por barbear? Os ombros vergados pelo peso da vergonha de nada ter… As roupas mal tratadas, Os sapatos desengonçados… Será por isso que quase chorava? Hoje passou por mim um mendigo, Desses que dizem ser sem abrigo.
E eu que todas as noites durmo numa cama, Eu que me levanto e deito por baixo de um tecto, Que vou ingerindo as refeições que são de bom tom ingerir… E eu? Porque vou triste eu?
Que nos falta? Que me sobra a mim que possa partilhar com aquele mendigo? Que tem ele que possa dividir?
Se lhe falasse será que me sorria? Se ele me falasse será que eu o ouvia? A tristeza que nos une separa-nos do resto das gentes.
Levanta o rosto! Não lhes dês o prazer de te verem chorar! Porquê? Para quê? Ninguém te vê, Ninguém me repara.
O mundo é tão grande, não é? E olha como somos pequeninos nós dois! Imprestáveis como jornais velhos e amarrotados…
E depois que …

"Sem lenço, e sem documento..."

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Mudaram-na mais uma vez. E eu bem que a tinha avisado… Choros e mais choros, Gritos e tantos gritos… Aqueles olhos verdes serenos aonde vive tanto desassossego. Os cabelos que eram louros e são escuros agora. As lágrimas redondinhas, transparentes. E os dias da semana na ponta da língua! Minha querida! Hoje que dia é? E amanhã? Sabes os dias todos, viva! Não chores meu amor, não chores. Meninas crescidas falam. Sabes falar. Olha como dizes bem as cores, e contas até dez!
Outra vez novas amigas e uma cama diferente. Outros nomes para perceberes. Será que mandaram a boneca com ela?... Como se chama a tua boneca? E era Agatita, Dora Explorador, Noa… E era o macaco e o cão. Que lhe tenham mandado a boneca, por favor! Minha princesa…
Olho para ela e é ainda o bebé de há vinte anos atrás. A curva arrebitada do nariz pequenino. As covinhas no rosto redondinho. Os beijinhos… Deus, porque és ruim para a minha menina? Porquê? Não é justo tanto sofrimento assim! Nossa senhora do céu, Já que és madrinha dela, Não a faças chorar. …