Posso ir contigo?...





Leva-me contigo.
Vamos aonde tudo é possível e o algodão doce é mesmo feito de açúcar, e os caramelos ainda pegam nos dentes, e as rosas continuam a ter espinhos mas são bonitas de morrer.
Dá-me a mão, e leva-me.
Leva-me contigo…

Pouco importa se não levamos mapa nem sabemos de geografia, nem se a terra é mais redonda nuns dias do que noutros. E mesmo que faça frio, tanto frio, e mesmo que faça sol e haja calor, e até se o céu estiver riscado de relâmpagos e trovões, leva-me ainda assim.

Enquanto o coração bate e as pernas respondem, e os olhos sonham e a alma vibra. Enquanto temos sangue e temos força.
Antes de ser tarde para mais nada.
Antes que seja tarde demais.

Lá fora ainda é claro, mas debaixo das árvores a noite vem mais cedo. As florestas são cheias de sombras e de recantos escuros. E vultos escondidos espreitam atrás das árvores. Leva-me…
Perdemos os sapatos e estamos descalços porque fugimos há tempo demais. E as nossas roupas são farrapos com sombras do que foram um dia. Os cabelos são farripas desgrenhadas.
Mas respiramos! Sentes? Respiramos.

Então vamos!
Então tira-me daqui.
Peço-te como quem chora ou ri.
Não vamos guardar para depois…
Depois já não seremos nós dois.
Depois é tão depois.

Não me digas que também estás perdido e que não encontras o norte do caminho. Sempre descobrimos o fundo do túnel em todas as histórias antigas.
E sabes? As fadas escreveram que o nosso fim não é agora. Não é chegada a nossa hora.

Por isso levanta a cabeça e anda.
Abre os olhos e caminha.
A tua mão guia a minha.

Não atrás e nem à frente, mas lado a lado até ao infinito.
Não te apoquentes, não vamos andar para sempre.
Apenas até chegar a um lugar diferente, num mundo mais bonito.


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