Prisioneiros de verdade são os que ficam, quando a porta se abre para irem




Vieram buscar-nos hoje.
Levaram-nos e examinaram-nos como se fossemos novos espécimes com interesse científico.
Depois queriam separar-nos…
Eu disse que sim.
Aprendi a mentir no cativeiro.
De noite peguei a tua pequenina mão bem juntinho à minha, e fugimos.
Também aprendi a fugir no cativeiro.

Quando estávamos presos tínhamos paredes conhecidas à nossa volta.
Agora soltos, o mundo parece grande demais para nós.
O céu aqui fora é bem mais alto do que o tecto de antigamente.
Mas por muito diferente que seja deste lado,
É como se ainda estivéssemos lá dentro.

Quiseste correr.
Pedi-te calma.
Correr cansa mais do que apenas andar.
Além disso, não sabes correr tu.
Eu aprendi em tempos antigos…
Mas desaprendi quando me esqueci de caminhar.
Porque me encarceraram.

Olho para trás.
Não devia…
Vejo uma moldura de escuro.
Sinto o frio.
Há algo de terrível no apelo escancarado de uma porta fechada.
Solto-te da mão…
És livre de ir.
Vai!
Talvez afinal seja tarde para eu ir mais além…
Porque demoraram tanto tempo para nos salvar?


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