Procrastinação



E viu então que a  sua vida só daria certo, se fosse verdade tudo aquilo em que acreditara.
Tudo aquilo que sabia agora ser impossível.
Não haviam acasos da sorte,
Nem coincidências salvadoras.
Tão pouco era real existirem pessoas âncora às quais pudesse segurar-se para não afundar.
Ganhar na lotaria estava fora de questão.
Não!
Histórias da carochinha e truques de ilusionismo barato, era ao que se resumiam todos esses sonhos antigos.

O que era bem real era a coragem, a força de vontade e o dinamismo.
O que fazia o mundo andar de facto era o empenho, o trabalho e o espírito empreendedor.
Tudo o que nunca tivera.
Tudo o que não tinha.
Por isso…

Baixou a cabeça e engoliu as lágrimas.
Olhou por entre as farripas ruças dos cabelos.
Tantas pessoas que passavam!
Como eram tantas!
A que iam?
Porque continuavam a arrastar as pernas no fandango inútil da vida?

Era por isso que não saía do mesmo lugar.
Faltava-lhe tudo o que todos tinham.
Faltava-lhe a energia de fazer acontecer.

Sabia o sermão na ponta da língua,
E sabia o que havia a dizer.
Mas…
Mas…
Igual à Preguiça da lenda via a água correr plácida e não se baixava.
Escolhia morrer de sede.
E sabia que escolhia.
Sabia.

Que lhe restava?
O Tejo lá em baixo.
Que se danasse!...
Sempre soubera que não ia morrer de velhice.





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