O homem desesperado




Queres que tudo pare?
Tens vontade que o tempo mude?
Apetece-te fechar os olhos e estar num outro lugar?
Acontece-te pensar que não suportas mais?

Para ti o mundo está todo esquisito?…
Conheces a sensação de que nada parece real?
Tens a impressão de estares a alucinar?…

Sentes-te por vezes tão, mas tão triste como se fosses rebentar?
Ouves palavras sussurradas no barulho que se cala?
E distingues gritos de dor quando a noite chega, ou quando a chuva cai?
Choras?
Choras de madrugada?

Tens alguma esperança?
Nem que seja uma simples esperança,
esperança infundada,
esperança de criança?

Acreditas?
Acreditas ainda que te digam que deliras?
Acreditas num qualquer faz-de-conta que sim?

Estás habituado?
És um conformado?
Julgas que não há mais além disto?
Aceitas os dias sempre da mesma maneira?
Foste idoso a tua vida inteira?

Se estás fora da festa,
e nenhum consolo te resta,
e ardes no inferno…

Se não tens nem um só amigo,
E perdeste aos dados o chão deixado pelos antigos,
o chão que supostamente era eterno…

Se és proscrito neste mundo maldito,
e mastigas pó,
e agonizas numa sede sem fim…

Diz-me meu amigo:
Como é que consegues?!
Como é que podes viver assim?!


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