A árvore que nunca soube ser jangada





Veio o vento e abanou  pequena árvore para o lado direito.
E depois veio a chuva colocar peso no lado esquerdo.
O homem na impaciência de soltar o arado deu-lhe um toque mais para a frente.
As chuvadas de Inverno amoleceram-lhe a terra por trás.

Caiu?
Não.
Forças contrárias anulam-se.

A árvore permaneceu de pé.
Mas esqueceu a orientação que a Natureza lhe dera ao nascer.
Desaprendeu o lado mais favorável do seu perfil.
Deixou de querer escolher.

Quem a vê hoje não faz ideias da grande árvore que poderia ter vindo a ser.
Não passa de um insignificante arbusto enfezado e quebradiço, mal sustido pelos ramos e raízes que o prendem à vida.

Nalguns dias a árvore queixa-se por não ter nascido numa estufa.
Noutras ocasiões maldiz o jardineiro que tão mal a semeou, que tão adverso lugar escolheu para a trazer em flor.

Nem o sol, nem os passarinhos do campo, nem as papoilas lhe alegram os dias.
Pensa em tudo aquilo a que estava destinada.

Esquece que enquanto se lamenta as silvas e as urtigas abrem pasto no seu caminho.
Ignora a aragem que sopra de mansinho.
Só abriga pensamentos.

Os anos encurtam a sua estadia neste mundo, mas ela não tem consciência do tempo que passa.

É uma árvore com pena de não ser.
Sem saber aceitar.
Sem conseguir viver.


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