E de como cabanas e asnos são melhores escolhas do que palacetes e cavalos




Comecei a reparar nas casas mais pequenas. É sempre numa delas que costumo morar. Os detalhes são o meu pano de fundo.

- Tens a certeza que é nesta rua?- pergunto de olhos esbugalhados perante tanto casario imponente
- Claro! Olha lá, é aquela.
E é a mais desapercebida, escondida e dissonante casa de toda a rua… Ao principio incomodava-me. Sentia-me quase injustiçada. Que diabos! Porque é que tem de ser sempre a mais pobrezinha de todas? Mas agora não. Lido perfeitamente com a situação. Encontro-lhe até um certo encanto peculiar.

- A minha há-de ser aquela ali.
- Porque dizes isso?
- Porque é a que destoa do conjunto. É aquela aonde à partida ninguém preferiria morar. É a minha.
- E não é que é mesmo??
- Eu sabia. :)

Talvez aconteça o mesmo com as outras pessoas... Porque não? É possível que a nossa casa não seja a nossa primeira escolha. Vem-me à ideia a minha mãe que costumava dizer que nunca casamos com a pessoa de quem mais gostamos. Sabedoria antiga.

"Não escolhemos aquilo que temos." Será? Ou escolhemos coisas diferentes quando passamos do plano das utopias, para o das realidades? Não deixam de ser escolhas, mas fundamentadas, racionadas...

Se não vejamos: À primeira vista eu ficaria com o palacete da esquina. Certamente que sim! Mas e depois? Como suportaria as despesas de tal imóvel? É  mais sensato ficar com uma humilde morada, dentro das minhas verdadeiras possibilidades.

Tal como nos casamentos. Casaria com o Brad Pitt? Ah, claro! Mas decididamente ele não seria homem para mim, e eu não seria a opção dele. Melhor alguém que me veja com olhos de coração, e a quem eu possa bem querer pelo que é, e não pelo que representa ser.

A minha filosofia alterou-se consideravelmente de há uns tempos para cá. Agora procuro a minha entre as casas mais pequeninas. E antes quero um asno que me carregue, do que um cavalo que me derrube.

É que temos de aprender alguma coisa nesta vida! Eu aprendi a valorizar os detalhes. É neles que tudo está. O mundo é um puzzle gigantesco. Retalhos e detalhes, detalhes e retalhos. Vamos costurando com dedal e linha, marcando a pé o compasso da costureirinha.

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