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A mostrar mensagens de Junho, 2018

Quem sabe põe o dedo no ar!

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Pedro, diz-me o que é Tirania! E o rapazinho pensativo olhou para o chão. Que foi? Perdeste a língua? Vá! Responde! As palavras pareciam queimar na garganta… O rubor invadia as faces imberbes… O que é Tirania?
Outros olhos ansiosos cravavam-se nele. Tanta valentia! Tanto atrevimento! E então? Agora era o lugar de líder revoltoso que estava em causa.
Devo concluir que não sabes? Ou será que tens medo de responder? Já alguns sorrisos de troça pesavam no ambiente. A transpiração traiçoeira pingava na testa, no pescoço.
Sei, sim senhor professor! Ufa! Uma onda de alegria vibrou na sala. Sabes?
Primeiro respondeu o José, depois o António, e a Raquel, e a Rita. Depois já todos gritavam a sua própria resposta: Tirania é quando nos obrigam a ser o que não somos. Tirania é quando não nos dão opção de responder. É quando o pai da gente chega bêbado da rua. É quando a mãe da gente se acaba nas esquinas para pôr comer na mesa. E é quando um adulto todo poderoso nos faz tremer porque somos pequenos. E é quando escreveram o…

Quando as folhas caem na Primavera

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Este poema é dedicado às folhas que caem, quando todas as outras estão a nascer. Este poema é para as árvores que estão no Outono, quando o calendário diz que é Primavera.
Meses, semanas e dias… Estações e anos… Tudo invenção dos humanos.
Ao principio era o nada. Nem nomes, nem significados.
Depois vieram os Homens e disseram que isto se chama assim, E aquilo se chama assado. Escreveram frases, Encheram livros. Fizeram de todas as coisas do mundo um tratado.
Época de nascer, Época de desabrochar. Época de recomeçar.
Pois eu louvo as folhas que caem, quando todos esperam que elas nasçam. Louvo as árvores que não respeitam a altura de florescer, E louvo todos aqueles que de pé, escolhem quando hão-de morrer.
No tempo em que as flores anunciam os frutos, Quando as abelhas sorvem o néctar das rosadas pétalas E os pardais escarafuncham as carnudas polpas, Existem folhas que caem, Existem árvores que findam.
Existem Invernos que não chegaram a ser Verão. Apenas não.
Este poema é para os marginais da natureza, Párias…

Somos Família

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As pessoas lá fora não se importam. Porque haveriam? A verdade é que ninguém quer saber de ninguém.
Só dão uma coisa a quem dá outra de volta. Dizem que sentimentos são troca de mercadorias. Fingem que riem. Mentem e nem sentem. São surdos, mas não mudos. Falam muito, mas falam sozinhos.
Não somos assim.
Não fazemos justiça. Para isso o mundo está na rua. Não aplicamos regras, nem impomos castigos. Nem somos juízes, ou nobres causídicos.
Somos nós. Só nós. É isso que somos.
Juntos quando tudo falta e desaba à nossa volta.
Somos gente nossa.
E nunca ninguém gostará tanto de cada um de nós, Quanto gostamos uns dos outros.