Quando as folhas caem na Primavera




Este poema é dedicado às folhas que caem, quando todas as outras estão a nascer.
Este poema é para as árvores que estão no Outono, quando o calendário diz que é Primavera.

Meses, semanas e dias…
Estações e anos…
Tudo invenção dos humanos.

Ao principio era o nada.
Nem nomes, nem significados.

Depois vieram os Homens e disseram que isto se chama assim,
E aquilo se chama assado.
Escreveram frases,
Encheram livros.
Fizeram de todas as coisas do mundo um tratado.

Época de nascer,
Época de desabrochar.
Época de recomeçar.

Pois eu louvo as folhas que caem, quando todos esperam que elas nasçam.
Louvo as árvores que não respeitam a altura de florescer,
E louvo todos aqueles que de pé, escolhem quando hão-de morrer.

No tempo em que as flores anunciam os frutos,
Quando as abelhas sorvem o néctar das rosadas pétalas
E os pardais escarafuncham as carnudas polpas,
Existem folhas que caem,
Existem árvores que findam.

Existem Invernos que não chegaram a ser Verão.
Apenas não.

Este poema é para os marginais da natureza,
Párias da sociedade vegetal.
Para os que teimam em ser diferentes,
E fazem dos dias quentes
Apenas uma indistinta estação.

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